Trilhas de leitura
Livros da estante em sequência para estudar um assunto do começo, com o motivo de cada passo e os principais argumentos a favor e críticas a cada autor. A minha opinião está na resenha de cada livro.
Por onde começar a estudar economia?
Começa pelo panorama, passa pelos clássicos liberais, sobe para os textos mais densos e termina no debate brasileiro. A ideia é ler escolas diferentes lado a lado, e não escolher um time no primeiro capítulo.
- 1Economia: Modo de Usar8,8
Ha-Joon Chang
Mostra logo de cara que economia não é ciência de uma escola só: apresenta nove tradições e onde cada uma acerta.
A favor
Didático, curto e honesto sobre as divergências; um bom antídoto contra a ideia de que existe uma resposta única.
Críticas
Chang é heterodoxo e desenvolvimentista declarado; críticos apontam que ele é mais duro com o liberalismo do que com as escolas que prefere.
- 2A Economia8,3
Equipe CORE Econ
O livro-texto aberto do projeto CORE dá o vocabulário moderno: incentivos, mercados, instituições e dados.
A favor
Parte de evidência empírica e de problemas reais, como desigualdade, clima e crises, desde o primeiro capítulo. E é gratuito.
Críticas
Longo e acadêmico; liberais criticam o peso dado a falhas de mercado e à intervenção, e quem quer teoria pura acha pouco formal.
- 3Economia numa Única Lição8,7
Henry Hazlitt
A primeira porta para o pensamento liberal: uma lição só, olhar os efeitos de longo prazo sobre todos os grupos.
A favor
Claro, curto e memorável; ensina a enxergar custos que não aparecem na primeira conta.
Críticas
Simplifica demais: trata quase toda intervenção como erro e quase não discute evidência empírica nem falhas de mercado.
- 4A Lei8,4
Frédéric Bastiat
Curto e direto, mostra de onde vem a desconfiança liberal em relação ao Estado.
A favor
Texto de 1850 que ainda se lê de uma sentada, com argumentos claros sobre lei e propriedade.
Críticas
Mais retórica do que análise; a ideia de "espoliação legal" é ampla o bastante para condenar quase qualquer política pública.
- 5As Seis Lições8,5
Ludwig von Mises
Palestras curtas que resumem a escola austríaca: capitalismo, socialismo, intervencionismo, inflação, investimento e política.
A favor
Acessível e bem amarrado; uma boa ponte antes de encarar o Ação Humana.
Críticas
Mises rejeita testes empíricos em economia, e isso afasta a maioria dos economistas; o tom é absoluto.
- 6O Caminho da Servidão9,0
Friedrich Hayek
O argumento político: planejamento central concentra poder e corrói a liberdade.
A favor
Influente e bem argumentado sobre conhecimento disperso e os riscos do planejamento.
Críticas
A previsão de que o Estado de bem-estar levaria ao autoritarismo não se confirmou nas democracias europeias, como até simpatizantes reconhecem.
- 7Capitalismo e Liberdade8,9
Milton Friedman
A versão de Chicago: liberalismo com dados, política monetária e propostas concretas, como o voucher escolar e o imposto de renda negativo.
A favor
Pragmático e propositivo, com ideias que viraram política pública.
Críticas
Críticos apontam confiança demais em mercados que se regulam sozinhos e o custo social de ajustes inspirados no monetarismo.
- 8Liberalismo8,6
Ludwig von Mises
A defesa política do liberalismo clássico, para ler depois das Seis Lições.
A favor
Sistemático e coerente do começo ao fim.
Críticas
Escrito em 1927, tem passagens datadas, e a coerência às vezes vira dogma.
- 9Princípios de Economia Política7,9
Carl Menger
Para ir à fonte: o livro que inaugurou a teoria do valor subjetivo e a escola austríaca.
A favor
Historicamente essencial; mostra o raciocínio marginalista nascendo.
Críticas
Árido e técnico; vale mais pela história do pensamento do que como leitura introdutória.
- 10Ação Humana8,2
Ludwig von Mises
O tratado completo. Fica por último porque pede tudo o que veio antes.
A favor
A obra mais ambiciosa da escola austríaca, do valor ao ciclo econômico.
Críticas
Mais de mil páginas, método dedutivo a priori e tom polêmico; muitos economistas o leem mais como filosofia do que como economia.
- 11Projeto Nacional: O Dever da Esperança9,7
Ciro Gomes
Traz o debate para o Brasil, do lado desenvolvimentista.
Ler a resenhaA favor
Diagnóstico estrutural de desindustrialização, juros e endividamento, com proposta amarrada ao diagnóstico.
Críticas
Mais forte no diagnóstico do que na viabilidade política; liberais questionam o papel central do Estado na estratégia.
- 12Livro Amarelo9,5
Partido Missão
O contraponto liberal brasileiro, para ler logo depois do Projeto Nacional.
Ler a resenhaA favor
Pensa o país como projeto, com ênfase em concorrência e produtividade.
Críticas
É programa de partido: detalha menos a transição e os custos do que promete.
Livros para entender poder
Do aforismo à análise de padrões: começa pela estratégia, passa pela política e termina na influência do dia a dia.
- 1A Arte da Guerra8,8
Sun Tzu
Curto e quase aforístico; dá o vocabulário de estratégia que os outros livros pressupõem.
Ler a resenhaA favor
Ideias que atravessaram séculos: vencer sem lutar, conhecer o terreno, o adversário e a si mesmo.
Críticas
Tão enxuto que cada leitor projeta o que quer, e a tradução muda bastante o sentido.
- 2O Príncipe9,0
Nicolau Maquiavel
Descreve como o poder funciona, e não como deveria funcionar.
Ler a resenhaA favor
Uma honestidade analítica rara; virtù e fortuna continuam úteis para pensar o que se controla.
Críticas
Sem o contexto da Itália renascentista, vira frase de efeito; o capítulo sobre ser amado ou temido é dos mais mal lidos.
- 3A Arte da Guerra9,0
Maquiavel
A mesma obsessão de O Príncipe aplicada ao exército: não depender do que você não controla.
Ler a resenhaA favor
O único tratado político que Maquiavel publicou em vida; uma ponte entre estratégia militar e política.
Críticas
O detalhe técnico militar envelheceu, e o formato de diálogo deixa o texto arrastado.
- 448 Leis do Poder9,1
Robert Greene
Um catálogo de padrões históricos de poder, para ler como mapa e não como manual.
Ler a resenhaA favor
Muita história real sustentando cada lei, e a parte do "inverso" mostra onde cada uma deixa de funcionar.
Críticas
Longo, repetitivo e cínico; críticos apontam o tom amoral e exemplos escolhidos para confirmar a tese.
- 533 Estratégias de Guerra8,6
Robert Greene
Leva os padrões de Greene para o conflito e a competição.
Ler a resenhaA favor
Organiza estratégia em princípios que servem fora da guerra.
Críticas
A mesma fórmula das 48 Leis; alguns exemplos parecem encaixados para caber na regra.
- 6A Arte da Sedução8,5
Robert Greene
Poder como atração: o lado da influência que não usa força.
Ler a resenhaA favor
Análise de arquétipos e de dinâmica social com muita referência histórica e literária.
Críticas
Fácil de ler como manual de manipulação, e a ética do livro é bastante questionada.
- 7Armas da Persuasão 2.08,2
Robert B. Cialdini
Sai da história e entra na pesquisa: os mecanismos psicológicos da influência.
Ler a resenhaA favor
Baseado em experimentos; ensina a reconhecer os princípios em vendas, em produto e em você mesmo.
Críticas
Repetitivo nos exemplos, e parte da psicologia social em que se apoia passou a ser revista desde a crise de replicação.
- 8Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas9,1
Dale Carnegie
Termina na prática: influência no dia a dia, sem cinismo.
Ler a resenhaA favor
Simples, aplicável e humano.
Críticas
Algumas histórias soam datadas, e aplicado sem sinceridade vira manipulação educada.
Fundamentos de arquitetura de software
Da linha de código ao desenho do sistema, com os textos daqui que tratam do mesmo assunto.
- 1Clean Code8,1
Robert C. Martin
Começa no nível do código: nomes, funções, comentários e testes.
Ler a resenhaA favor
Cria um vocabulário comum para revisão de código e consolida boas práticas.
Críticas
Exemplos em Java datados, e regras como funções minúsculas viram dogma; seguidas à risca, às vezes pioram a leitura.
- 2Clean Code in JavaScript7,6
James Padolsey
Leva as mesmas ideias para JavaScript, com as particularidades da linguagem.
A favor
Situa os princípios de código limpo no ecossistema JavaScript.
Críticas
Bem menos conhecido e revisado pela comunidade, e parte do conteúdo envelhece rápido junto com a linguagem.
- 3Clean Architecture8,9
Robert C. Martin
Sobe para a estrutura: a regra da dependência e o domínio no centro.
Ler a resenhaA favor
Dá linguagem para separar regra de negócio de detalhe: banco, framework e tela.
Críticas
Apresenta camadas como se o custo fosse sempre baixo; em sistema pequeno, vira cerimônia.
- 4Clean Craftsmanship8,1
Robert C. Martin
Fecha com disciplina e ética profissional: TDD, refatoração e design simples.
A favor
Junta a prática do código com a responsabilidade de quem o escreve.
Críticas
Tom prescritivo, e a defesa de TDD estrito está longe de ser consenso.